Category: Entrevistas

abr 12 2011

Como vencer o terror da entrevista

Como vencer o terror da entrevista

É impossível deixar de ficar tenso na conversa cara a cara. Conheça estratégias para ficar mais seguro na hora de se vender para uma vaga

 

A entrevista é, sim, o momento mais importante e decisivo no processo de contratação. Para conseguir uma posição em qualquer empresa deste planeta, você terá de enfrentar pelo menos uma entrevista. Hoje em dia, um candidato passa, em média, por três ao pleitear um cargo. E será que você está pronto para enfrentar os desafios típicos dessa situação? Infelizmente, as empresas também acham que a maioria dos candidatos não está. O principal problema: chegar para a entrevista com o script pronto, decoradinho.

Lição fundamental: não queira ser na entrevista o que você não é de fato. Depois de alguns meses você pode perceber que não tem nada a ver com a empresa. E aí suas chances de crescimento profissional são mínimas. Você simplesmente trava sua carreira. Mais: não invente respostas quando você não sabe o que dizer. Numa dessas escorregadas, o candidato perde a vaga na hora. É melhor assumir que não sabe a resposta. Para conseguir a combinação de espontaneidade e argumentação bem fundamentada indispensável para uma entrevista bem sucedida, é preciso se preparar muito. A seguir, apresentamos um roteiro que irá ajudá-lo nessa empreitada.

ANTES

Lição de casa: faça uma pesquisa completa sobre a empresa

# Há quanto tempo ela está no mercado? Quais os produtos?
# Como é sua reputação entre os concorrentes?
# Ela é lucrativa?
# Levante todos os números possíveis:
# Faturamento
# Lucro
# Previsão de crescimento
# Quais os valores e a missão da organização?
# Lembre-se: Os melhores dados geralmente vêm de pessoas que conhecem os detalhes da companhia (funcionários, ex-funcionários e clientes)

Revise e estude cuidadosamente seu currículo

# Esteja pronto para explicar cada movimento e conquista que realizou ao longo da carreira
# Use números e exemplos

Fique atento às exigências típicas que variam de acordo com o tipo de empresa em que você está pleiteando uma vaga:

# Setor financeiro: esteja preparado para fazer cálculos e resolver problemas que envolvem raciocínio.
# Área de consultoria: certamente o entrevistador lhe apresentará casos de empresas.
# Empresas de varejo: esteja preparado para falar sobre produtos, estratégia de vendas e importância do consumidor.

Não se deixe intimidar pelo entrevistador

Independentemente do setor, há ainda as entrevistas que testam seu grau de estresse. Nesse caso, mais do que ouvir, o recrutador vai testar sua reação diante de situações-limite. Normalmente, ele já começa disparando observações sarcásticas e até agressivas. Nessa hora, o jogo de cintura é seu melhor aliado.

Entrevista na hora do almoço? Fique de olho em seus hábitos sociais!

# Não peça pratos difíceis de comer
# Não escolha o prato mais caro do menu
# Evite bebidas alcoólicas

Entrevistador na linha: o que fazer quando a conversa é por telefone

# Reserve uma sala tranqüila para receber a ligação
# Escreva antecipadamente alguns pontos importantes que gostaria de discutir e mantenha as anotações em mãos durante a conversa
# Seu objetivo é conseguir agendar a entrevista pessoalmente

Durante a preparação, aposte em algumas perguntas típicas e outras imprevisíveis

# O que você pode fazer por esta empresa?
# Onde você se vê em cinco anos?
# Conte-me uma situação em que você falhou em sua carreira.
# Está faltando luz de manhã. Você sabe que tem 12 meias pretas e 8 azuis. Quantas meias precisa tirar da gaveta para ter um par perfeito?
# Qual a sua expectativa de salário?

Prepare uma lista de perguntas que possam ajudá-lo a conhecer melhor a companhia:

# Como é um dia típico de trabalho nessa empresa?
# Quais responsabilidades terei nesse cargo?
# A quem vou me reportar?
# Qual o tamanho da equipe da qual farei parte?
# Qual o estilo de gerenciamento da empresa?
# Como o(a) senhor(a) vê a empresa em cinco anos?

O DIA D
# Não dê vexame. Saiba o nome e cargo do entrevistador, o local, a data e o horário da entrevista.
# Vista-se adequadamente para a ocasião. Procure conhecer o perfil da empresa antes, e use essa informação na hora de escolher roupa, sapato e acessórios.
# Evite perfumes fortes.
# Confirme se a roupa está limpa.
# Para as mulheres: evitem saias curtas demais, decotes cavados e tecidos transparentes. Nada de maquiagem pesada.
# Para os homens: nada de paletó amarrotado, pastas ou sapatos surrados. Verifique se as unhas estão aparadas e limpas. A barba deve estar feita.
# Administre bem seu tempo. Tente chegar 10 minutos antes da hora marcada.
# Leve cópias do currículo, anotações feitas durante a preparação sobre suas competências e objetivos, papel e caneta.

Chegou a hora!
Não esqueça que você pode ser avaliado desde o momento em que pisa na empresa. Portanto, trate bem a secretária e os assessores e fique atento. Qualquer nova informação pode ser preciosa nessa hora.
# Pense que a entrevista é o seu primeiro dia de trabalho
# Sua atitude deve ser a de quem está ali para discutir um projeto, e não a de quem está mendigando um trabalho
# Tente manter sua autoconfiança
# Reflita bem antes de responder. Não se precipite, mas também não enrole
# Jamais fale mal do seu ex-chefe ou da empresa em que trabalhou
# Não tenha receio de mostrar sentimentos de insatisfação ou raiva

Escape das armadilhas
Se o entrevistador faz uma pergunta que você não tem idéia da resposta?
“Fale-me sobre o modelo Value at Risk de avaliação de risco”, dispara o entrevistador. Que fria! Você não sabe a resposta. Mas conhece um outro modelo. Então, siga em frente. Diga: “Conheço pouco o Value at Risk para fazer uma análise mais profunda, mas conheço esse outro método, que acredito ser extremamente eficiente”. Ninguém espera que você seja uma enciclopédia ambulante, mas que saiba defender suas idéias.

Se o recrutador chama você pelo nome errado?

# Faça uma correção na hora. Educadamente diga que você é fulano e não sicrano e continue a conversa. Se o entrevistador continuar a errar, então diga: “Sei que o senhor conversa com muitos candidatos. Gostaria de checar se está com o meu currículo em mãos. Sou fulano de tal, formado pela universidade XYZ”"

Se o telefone celular toca durante a entrevista?

Desligue imediatamente. Peça desculpas. Aliás, o correto é entrar na sala com o celular desligado.

Se você chegar atrasado?

Para essa, não tem desculpa. O melhor a fazer é ligar para o entrevistador com antecedência, explicar o problema e pedir desculpas. Se o atraso for ultrapassar 15 minutos, esteja disponível para remarcar a entrevista.

Se o entrevistador fala algo que você sabe que é incorreto?

Se for um erro que você pode contradizer com números e dados, faça-o delicadamente. Ele pode estar testando você. Repita a frase com a correção, sem destacar que o entrevistador está errado.

Se você comete uma gafe estúpida (como a de dizer no final de uma entrevista com o diretor da Pepsi que você sempre quis trabalhar na Coca-Cola)?

Corrija a gafe rapidamente. Deixe claro seu compromisso com a empresa. E não tente justificar o equívoco dizendo que se confundiu porque teve ontem uma entrevista com o pessoal da Coca-Cola. O remendo pode ser ainda pior.

Se você derrubar café na roupa?
Tente conduzir a situação com bom humor. Pergunte onde ficam as toalhas de papel e peça licença para ir buscá-las. Não fique esperando alguém consertar a confusão que arrumou. Deixe claro que a entrevista é mais importante que o imprevisto.

DEPOIS
# Volte para casa e analise a entrevista. Verifique o que funcionou e o que não deu certo e como poderia melhorar na próxima ocasião
# Envie uma carta de agradecimento à empresa no máximo 48 horas após a entrevista
# Se você não tiver notícia nenhuma após duas semanas, ligue para o recrutador e verifique se ele precisa de mais algum dado sobre você

Você sabia?
De acordo com dados da Society for Industrial and Organizational Psychologists, entidade americana de psicólogos ligados ao trabalho, as entrevistas têm apenas 65% de eficiência no julgamento das competências e da capacidade de liderança dos candidatos.

 

ago 31 2010

Para quem o mercado abre as portas?

Para quem o mercado abre as portas?

Patrícia Bispo 

Personalidade, esforço e atitude somados a um currículo com vasta bagagem técnica. Esses são os “ingredientes perfeitos”, para as empresas que buscam a contratação de novos executivos, que venham atender suas expectativas e, consequentemente, fazer o diferencial para o negócio. De acordo com Carlos Contar, diretor da regional Sul da Business Partners Consulting, hoje a avaliação nas posições executivas, a grande parte do que é considerado nos perfis profissionais refere-se, principalmente, a fatores comportamentais, ou seja, ao que a pessoa é: comprometida; se sabe ou não trabalhar em equipe; possui capacidade de se relaciona bem com os gestores e os colegas; entre outros indicadores comportamentais.
“O candidato precisa ser muito bom profissional e melhor ainda como pessoa, ou seja, uma pessoa que evolui no campo técnico e intelectual. Isso gera valor À empresa e estabelece fortes vínculos de credibilidade” sintetiza Carlos Contar. Em entrevista concedida ao RH.com.br, ele fala sobre outros fatores que influenciam a carreira de quem já possui uma colocação no mercado, deseja ter uma ascensão sempre promissora ou, ainda, pretende conquistar novos horizontes no ambiente corporativo. Boa leitura e confira a entrevista na íntegra.

RH.com.br - Se antes o mercado exigido dos executivos uma extensa bagagem técnica, hoje se observa outra realidade que culmina na área comportamental. As competências técnicas e comportamentais têm o mesmo peso, durante um processo seletivo de executivos? Por quê?
Carlos Contar - Eu diria que hoje elas têm o mesmo peso sim, pois na maioria dos casos as competências técnicas são inerentes aos profissionais através de sua experiência. Nos processos seletivos, observa-se que sempre se leva em conta os diferenciais apresentados, principalmente o perfil comportamental do executivo e sua capacidade de gestão de adaptabilidade ao novo, ao inesperado, fatores comuns em um mercado cada vez mais competitivo.

RH - Quais os indicadores comportamentais mais difíceis de serem encontrados em um profissional?
Carlos Contar - Uma das grandes dificuldades do mercado geralmente está em localizar um profissional com características de flexibilidade, que se ajuste ao modelo e à cultura da empresa, bem como a facilidade para atuar diretamente na Gestão de Pessoas.

RH - Por que essas competências comportamentais tornaram-se tão cobiçadas pelas organizações?
Carlos Contar - Tornaram-se valiosas porque o profissional que as possuir tem a capacidade parar criar e estender projetos e ações, propondo a melhoria contínua da empresa. É bem provável que essa visão abrangente terá apoio e o comprometimento de superiores, dos pares e da equipe. Isso certamente é um grande diferencial para o dia a dia organizacional.

RH - A disseminação do conhecimento, que ocorre numa velocidade cada vez mais rápida, dificulta que seja traçado um perfil do profissional mais cobiçado?
Carlos Contar - Pessoalmente, não acredito que a velocidade da disseminação do conhecimento proporcione problemas. E sabe por quê? Porque as exigências em relação ao desenvolvimento profissional e técnico por parte das empresas, segue na mesma velocidade.

RH - Quais as dificuldades mais comuns que os executivos encontram para atender as expectativas do mercado?
Carlos Contar - As dificuldades mais comuns estão relacionadas diretamente às questões de adaptação como, por exemplo, a aceitação da cultura da organização e uma capacidade de gerar constantemente motivação para si e os membros da sua equipe.

RH - Como essas dificuldades comuns a tantos profissionais que desejam destacar-se no mercado podem ser superadas?
Carlos Contar - Eu diria que o executivo deve olhar para si mesmo, refletir sobre suas qualidades e o que poderá agregar à empresa em que ele atua. Os objetivos de ambas as partes – profissional e empresa – devem estar unidos, para que não haja conflito agora e nem no futuro.

RH - O planejamento de carreira deve ser uma iniciativa da empresa ou o senhor aconselha que o profissional seja o próprio mentor e dê o primeiro passo?
Carlos Contar - Quando me fazem uma pergunta como essa, costumo afirmar que ambas as partes são responsável pela motivação. A empresa deverá fornecer ao profissional um campo de desenvolvimento e perspectiva de carreira. Por outro lado, o profissional deverá reciclar-se seja na área técnica ou pessoal, constantemente, e ser mais adaptável a cada dia no contexto das empresas e do mercado como um todo.

RH - O autodesenvolvimento é uma alternativa para dar sustentação a uma carreira promissora?
Carlos Contar - Sim, sem dúvida alguma. Pois, como os demais conhecimentos adquiridos, este eleva o nível do profissional e abre sua mente para novas perspectivas, tanto profissionais e de vida.

RH - Quais as suas expectativas em relação às exigências do mercado, para aqueles profissionais que já têm uma posição e pretendem segurar seu espaço ou, então, ampliar um leque de oportunidades?
Carlos Contar - Considero que o profissional que procura uma nova oportunidade, deve possuir autodesenvolvimento, capacidade de adaptação, flexibilidade e relacionamento interpessoal. As mesmas dicas valem também para quem já está no mercado, em busca de estabilização ou novas opções para a carreira.

RH - E o que espera os profissionais que ingressarão no mercado daqui a uns cinco anos?
Carlos Contar - Os profissionais já estabilizados no mercado não devem parar de crescer. Cada vez mais, devem agregar novos conhecimentos técnicos, a fim de adquirir experiência e progredir junto à empresa.

RH - Já que estamos falando sobre a realidade do mercado de trabalho, o senhor acredita que existe um “choque” comportamental entre os profissionais que pertencem às Gerações X e Y ou isso já não se evidencia com frequência?
Carlos Contar - Para os profissionais mais antigos, há uma espécie de competitividade no mercado. Esses profissionais, por tua vez, acabam sentindo-se inseguros com a presença de outros profissionais mais jovens. Para os mais novos, muitas vezes, existe insatisfação com o chefe por diversos motivos: falta de espaço para expor ideias, excesso de autonomia, entre outros fatores que acabam interferindo no relacionamento entre os profissionais dessas duas gerações.

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