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Cor da pele influencia relações profissionais, mostra pesquisa.

Atualizado em 08/08/2011 às 12h30.

Para 71% dos brasileiros, as relações profissionais são influenciadas pela cor da pele. É o tipo de convívio mais suscetível à etnia, acima da maneira como as pessoas são atendidas pela polícia e pela Justiça.

Esse é o principal resultado de uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) feita com cerca de 15 mil entrevistados no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraíba e Amazonas.

O estudo Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População não tinha como intenção identificar se essa influência é positiva ou negativa.

Para a chefe da divisão de indicadores sociais do IBGE, Ana Lucia Saboia, perguntar se o impacto é bom ou ruim não é eficaz. Os entrevistados, diz ela, negam ser preconceituosos.

Entre as pessoas que se disseram negras, 82,6% responderam sim à pergunta se “a raça ou a cor” influenciam o trabalho. O menor índice foi entre aqueles que se declararam indígenas: 64,7% acham que esse é um fator que altera as relações.

Para Saboia, o fato de o trabalho ter sido apontado como a relação na qual há mais influencia se dá porque essa é “a atividade de inserção social mais importante para os indivíduos”.

O frei David Santos, diretor-executivo da ONG Educafro, diz que a pesquisa do IBGE “conseguiu trazer à tona a realidade, ou seja, que o índice de pessoas que sofrem discriminação por causa da cor ou etnia é exageradamente maior no ambiente de trabalho”.

O caso de Simone André Diniz, 33, foi marcante para a história do combate ao preconceito no país. Quando ela tinha 19 anos, denunciou uma empregadora que buscava uma doméstica branca.

Na época, o Ministério Público recomendou arquivar o caso, o que foi feito pelo juiz. Mas a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) recebeu uma denúncia, e, em 2006, condenou o Brasil.

Diniz ganhou R$ 36 mil de indenização do Estado, mas o processo ainda tramita. Ela espera receber bolsa para cursar faculdade — uma das recomendações da OEA.

Para Diniz, a situação no país não mudou. “Entre uma branca e uma negra, costumam escolher a branca, e dizem ‘não é o seu perfil que nós queremos’. É sempre assim”, afirma.

Sofia Helena Gomes ouviu de seu chefe imediato no setor de prevenção de perdas de uma rede varejista que deveria agradecer pelo emprego. Como ela era “velha e negra”, não conseguiria outro, emendou ele.

Gomes processou o antigo empregador por assédio moral, e ganhou na primeira instância na Justiça do Trabalho. Ela também move processo na vara criminal, mas o caso ainda não foi julgado.

Felipe Gutierrez

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